A partir da palavra “Caribe” pesquisamos os saberes comuns existentes sobre a região e sobre as raízes da cultura caribenha.

“Caribe” era a etnia indígena que habitava a região que hoje é conhecida por região Caribe, ou seja, que limita com o mar Caribe (nome homenagem ao povo ancestral da região). Entre os vários países configurados nessa zona, a Venezuela será, geograficamente, o território mais Este da região caribenha, que tal como a costa nordestina do Brasil, recebeu e acolheu o transito dos corpos escravizados e firmou o terreno fértil para a proliferação da herança africana e o seu mestizaje.

Um dos ritmos afrodescendentes mais populares da Venezuela são os “Tambores” – é esta a denominação geral para a manifestação de dança e música que junta, hoje em dia, negrs e brancs numa celebração de vida e do quotidiano, quer nas grandes cidades, quer nas periferias, mas principalmente nas regiões costeiras, onde a energia de matriz africana é ainda bastante presente e respeitada.

O tema da nossa reflexão e pesquisa corporal foi o diálogo entre culturas vizinhas, latino- americanas – que conversas criam os corpos de bailarins brasileirs com o ritmo dos tambores afro-venezolanos? O que desperta no corpo as imagens pré-adquiridas de “Caribe”, “Tambor”? Que reconhecimento existe (ou não) ao conectarem-se em roda? Como incorporar e interpretar os movimentos sob influência da própria linguagem corporal? Como deixar que o corpo possa expressar-se a partir da própria memória? Como incluir o desfrute e a celebração no trabalho coreográfico?
A partir de exercícios guiados de pesquisa no espaço da própria incorporização de algumas palavras-chave, escrita automática e improvisação livre, chegamos ao aquecimento interno do corpo e a preparação para a aprendizagem de alguns passos básicos de Tambores venezolanos: Sangueo y Golpe de San Millán. Após a prática das sequências, houve espaço para a improvisação e interação em roda, onde cada participante expressou no centro da roda, com o corpo, as aprendizagens obtidas durante o trabalho; houve intervenções a solo e em dupla, mas terminamos juntos, com uma respiração sintonizada.

Finalizamos como começamos, sentados em círculo, agora com uma partilha humana sobre o que sentimos e que reflexões trouxe à tona a proposta trabalhada – sensações físicas, pontos de cruzamento, semelhanças culturais, interesses partilhados, possibilidades de composição coreográfica.
Este workshop foi um ponto de partida para novas pesquisas e partilhas.

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